Esse mês a imigração japonesa no Brasil completou exatos 100 anos.
Meus avós vieram junto com a grande massa de japoneses, que começou essa história em 1908 a bordo do Kasato Maru.
Como a maioria desses imigrantes vieram com promessas de vida próspera, trabalhando em fazendas de café no interior de SP. E viram que a vida aqui não era tão maravilhosa como o prometido.
As dificuldades eram muitas. Desde a alimentação, que era completamente diferente da que estavam habituados, a barreira da língua, o clima…
Meu avô materno era um aventureiro. Veio pro Brasil pra conhecer coisas novas, mesmo a família sendo contra e tendo uma vida confortável no Japão. Trouxe na bagagem mulher e duas filhas (minha mãe nasceu aqui). Era um fumante inveterado, apreciador de uma boa pinga, leitor contumaz, contador de histórias e repartia praticamente tudo o que conseguia, nas lavouras de café e algodão. Ao todo, tiveram 5 filhos.
Já da família do meu pai não sei muita coisa. Creio que vieram por necessidade mesmo. Meu pai é o único filho homem e o caçula. Minha avó ficou viúva qdo meu pai tinha somente 9 anos. Assumiu o encargo sozinha de cuidar de 4 filhos (3 mulheres e 1 homem) e fez isso de forma extraordinária. Nunca se casou novamente.
Infelizmente não pude conviver muito com eles. Perdi os 3 antes dos 7 anos, mas lembro com nitidez da minha batchan (avó) paterna voltando da Liberdade com revistinhas e doces. Ou da minha batchan materna fazendo a comida antes que eu fosse a escola. E do meu ditchan (avô) materno com um cigarro na boca.
Em 1989, meu pai fez o caminho inverso. Foi só, deixando minha mãe e 3 filhos. Meu irmão caçula tinha menos de um ano na época e eu uns 11.
Foram tempos difíceis, sem brincadeira alguma.
Lembram qdo o Collor confiscou dinheiro da caderneta de poupança? Pois é, foi nessa época. E as economias que meu pai tinha deixado, foram bloqueadas.
Acho que é por isso que sempre batalhei desde cedo. Ajudava a minha mãe, comecei a trabalhar aos 16 anos e valorizo à beça minha família. Porque eu sei o quanto eles lutaram pra que esta terceira (quarta e quinta) geração dessas duas famílias de Kanagawa e Mie chegasssem até aqui.