Mesmo sabendo que aquilo não lhe afetava mais, tinha receio de que algo ainda pudesse lhe incomodar.
Mas teve a prova cabal de que tudo aquilo realmente havia passado. Viu fotos em que ele lhe conduzia pela mão e não teve calafrios, friozinho no estômago, nada. A única coisa que podia ver é o quanto estava linda e radiante naquele dia. Estava muito feliz, arrumada com capricho, diferente daquela que via nos espelhos todos os dias e que achava tão sem graça.
Maquiada, penteada, unhas impecáveis. O vestido estava perfeito! E mesmo com a sandália altíssima lhe apertando os pés, sentia-se leve. Lembrou-se dos inúmeros elogios que recebeu aquele dia e esboçou um sorriso.
Já ele parecia desconfortável com a situação, como lhe confidenciara anteriormente.
Lembrou-se que nem o cheiro do perfume, que ele usava no dia em que se conheceram, a perturbava, mesmo sabendo que a memória olfativa costuma pregar peças. A música deles tb não lhe trazia nenhum sentimento. Só leves lembranças daquela noite.
Tentou ser feliz. Sem arrependimentos. Fez o que pôde para dar certo.
Mas não havia amor ou paixão. Estava apenas confortável com a situação. E sair daquela zona de conforto, tentando se adaptar a uma nova realidade, era necessário. Pois aquilo ofuscava a mulher que realmente é, mostrada naquele álbum.